Sicília, história e mar

A Sicilia tem 25.708 quilômetros quadrados (quase do tamanho da Olanda), e è dividida em 2 partes, oriental com as cidades de Messina, Siracusa, Ragusa, Catania e Enna, e aquela  ocidental com as cidades de Palermo, Trapani e Agrigento. A Sicilia se encontra no sul da Itália, mais precisamente na ponta, é a maior e mais popolada ilha do mediterrâneo, cheia de histórias e parques arqueológicos de grande riqueza.

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Falar sobre a Sicilia pra mim, é como se eu falasse do Brasil, me sinto muito em casa quando estou lá, o povo é muito hospitaleiro e extrovertido. Minhas viagens pela Sicilia, não foram só como turista, porque meu sogro era siciliano, e muitas vezes fiquei em casa de parentes, o que me ajudou a conhecer a  cultura profundamente. A familia nessa terra é muito importante e unida, falam  todos ao mesmo tempo e costumam dar duplo sentido nas frases, um pouco como o brasileiro!

Minha primeira visita a Sicilia, foi em 1992 (pra um casamento que durou 12 horas), foi muito engraçado, a tia do meu marido (que diga-se de passagem, pessoa maravilhosa), me dizia o tempo todo “gioia, sei troppo magrolina, devi mangiare!”. Tradução: joia, voce é muito magrinha, precisa comer. Mas eu não era magrissima, era somente magra. Esse ano (2011) fomos para lá na páscoa, e aqui na Itália, o almoço de páscoa é na segunda feira, que se chama “Pasqueta”, e a tradição na Sicilia (e também em várias partes da Itália) é passar o dia inteiro na “campagna” (chácara), com muita comida. Nós começamos a comer ás 10hs e terminamos ás 21hs. Engordei 2,5kg em 4 dias, coisa de louco!!!
O grande problema, é que tudo é gostoso nessa terra, é uma característica de solo com origem vulcânica.

Aproveitando uma das viagens na Sicilia para outro casamento (esse durou menos, 9 horas) fizemos um roteirinho onde visitamos 2 parques arqueológicos (já tinhamos visitado outros a alguns anos atrás), e demos uma esticada até a praia de San Vito Lo Capo. Depois de 4 dias de muita comida, e encontro com parentes que chegaram de várias partes do mundo, pegamos o carro que tinhamos alugado no aeroporto de Palermo quando chegamos e VIA!!!!! Partimos pela manhã de uma cidade perto de Agrigento, onde estavamos em casa de parentes. Viajamos em 4, eu, meu marido, minha filha e meu querido sogro, que infelizmete nos deixou improvisamente logo após nosso retorno a Milão. Foi ótimo te-lo conosco, pois ele era um livro aberto de história, e nos explicava tudo, não precisávamos de nenhum tipo de guia.

De Agrigento a San Vito Lo Capo, se encontram 2 templos muito importantes, Selinunte e Segesta. Chegamos primeiro em Selinunte. Compramos o  ingresso e nos embarcamos num carrinho pequeno, tipo aqueles de campo de golf (não sei se mudou) que nos levou até os templos. É o maior complexo arqueológico grego da Europa, com 270 hectares.

Entrando no parque, senti imediatamente a sensação de ser envolvida em um contexto de mistério e fascínio, no meio da natureza selvagem e nostálgica do lugar. O complexo arqueológico de Selinunte, é dividido em 2 partes: Acrópolis, que se encontra na costa, e os Templos Orientais. Todos os templos, são indicados com letras do alfabeto, porque não se sabe a quais divindades eram consagrados, com excessão daqueles dedicados a Hera e Apolo. A cidade de Selinunte foi fundadada na metade do século VII a.c., e teve uma grande importância na história grega antiga.

Para visitar bem todo o parque seria necessário uma manhã inteira, mas nós queríamos passar também em Segesta, então ficamos la somente 2 horas e meia, mas com nosso personal guia, tudo ficou mais fácil e rápido, ótimo! O parque abre as 9hs e fecha as 17hs no verão, no inverno fecha as 16hs.

Voltamos para o carro e prosseguimos a viagem. Finalmente chegamos em Segesta, eu estava super ansiosa pra conhecer o Templo Dorico (digamos que não è fácil encontrar um templo assim tão inteiro como esse). O horário de abertura, é o mesmo de Selinunte. A cidade de Segesta foi fundada no século V a.c, e teve grandes conflitos com Selinunte. O parque arqueológico, se distingue por 2 esplêndidas óperas, o Templo Dorico e o Teatro Greco. Está localizado em uma colina circundada pelo verde, com um visual dos deuses.  O Templo de Segesta, é um dos monumentos mais intactos e perfeitos da antiguidade grega na Europa. Ele ocupa uma inteira colina, e è visível de longe. Tem que caminhar um pouquinho, na verdade tem que subir uma ladeira, mas nada de exagerado, e vale a pena chegar la em cima; tem sempre aquele carrinho como opção, mas tem que pagar separado.

O teatro foi escavado na rocha em cima do Monte Barbaro, com um panorama e uma atmosfera deslumbrante. Eu sentei ali e me transportei no tempo, dando um mergulho no passado e,  imaginando como podia ser a mais de 2000 anos atrás, escutando os aplausos do antigo público. A resposta foi: pura emoção.

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No verão, o palco è usado para espetáculos de música, teatrais e de óperas, pena que quando estávamos por lá não pegamos nem  um evento, dizem que a acústica é perfeita.

Aqui vai uma dica culinária. A região de Segesta, principalmente perto de Castellamare, é famosa por suas “cassatelle”, ravioles fritos recheados com ricota, deliciosos!

Depois de toda essa emoção de retorno ao passado, pegamos o carro e voltamos ao presente,  prraiaaaa………….maaaarrrrr…..

Chegamos em San Vito Lo Capo já no final da tarde. Fomos direto para o hotel, estávamos um pouco cansados. Jantamos no restaurante do hotel, com pratos deliciosos de peixe e frutos do mar. San Vito Lo Capo está localizata no comune de Trapani, que se encontra a 65km. Não è permitido para o turista entrar com carro, precisa deixar na entrada da cidade, no estacionameto a pagamento.   É uma cidadezinha pequena, onde se pode fazer tudo a pé, com praias límpidas, transparentes de mar azul turquesa e areia branca. As ruas são estreitas e cheias de lojinhas e restaurantes. No período de julho e agosto, organizam vários eventos na cidade.

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Do aeroporto de Trapani tem ônibus público da ATS (associação transportes sicilianos) que vai diretamente a San Vito Lo Capo, é bem comodo e custa aproximadamente € 8,00. Nós ficamos em San Vito Lo Capo 6 dias, e o nosso dia a dia, foi de visitas e praias. Aqui vão algumas dicas. É um lugar um pouco caro, mas tem várias opções de hotéis, desde 2 estrelas  até 4. Evite comer nos restaurantes da rua principal da cidade, Via Savoia, porque assaltam os turistas. O melhor período pra visitar essa região, é de junho a setembro, mas não recomendo ir no mês de agosto, é quando os italianos e a grande parte dos europeus entram de férias, fica tudo lotado e muito caro.

Alugar um scooter, pode ser uma opção legal, assim é possível visitar não só a cidade, mas toda a redondeza. Não deixe de ir se deliciar com os pratos maravilhosos do restaurante “Da Alfredo”.  Na cozinha, esta toda a familia, a comida é caseira, nada é comprado pronto. Qualquer prato que você pedir, será com certeza ótimo. Eles tem como opção, um prato com vários tipos de pasta, assim fica mais fácil  experimentar um pouco de tudo (o raviole  recheado com lagosta era algo indescritível). O restaurante è uma casa feita de pedra, fica um pouquinho no alto, com uma pequena vista para o mar e com mesas no jardim entre árvores de amêndoas.

Foi muito engraçado, estavamos almoçando, quando de repente começamos a escutar o som de um jegue, mas não podiamos vê-lo. Claro que fomos conhece-lo né! Ele era a atração do lugar. Amei tudo desse restaurante, era uma mistura de simplicidade e elegância incrível. Aproveite para experimentar um bom vinho siciliano, “Nero d’Avola”.

De San Vito Lo Capo é possível fazer várias excursões, eu aconselho a “Riserva dello Zingaro”, são 7 quilômetros de praias e 1600 hectares de natureza incontaminada, localizada entre San Vito Lo Capo e Spotello. Pra quem gosta de caminhar, pode optar pela caminhada dentro da reserva, nao è necessário fazer excursão organizada,  na recepção do parque você encontrará todas as informações e folhetos com o mapa dos percursos.

É preciso ir com um veícolo até lá, não è longe, mas a estrada é uma super subida, e eu não aconselho a ninguém. Coloque o tão amado tênis nos pés, vai facilitar bastante a caminhada, leve água e lanches, as praias são desertas. Dentro do parque se encontram o Museu Naturalistico,  o Museu das Atividades  Maritimas e o Museu da Civilização  Camponesa.   Quem preferir fazer snorkeling, tem 2 saídas por dia em catamarão, pela manhã, por volta das 9:30hs ás 13.30hs e a tarde das 15:00hs ás 19:00hs. Não se preocupe,  o verão na Europa tem claridade até as 21.30hs, dependendo da região, até as 22hs.

A diferença da excursão em catamarão, é que esse não pode se aproximar muito das praias, então o único modo de chegar naquelas praias lindas que vemos nos catálogos das operadoras de viagens e nos filmes, é fazendo o percurso a pé, e vale a pena, eu fiquei deslumbrada. Nós fizemos a excursão em catamarão e o percurso no parque.

 

Perto de San Vito Lo Capo (1 hora de carro ou moto) se encontra Erice, uma pequena cidade medieval localizada numa colina, a 750 metros do nível do mar. A sua posição è fantástica, presenteia o turista com uma super vista,  nos dias límpidos, é possível ver até o vulcão “Etna”, que não se encontra muito perto. É impressionante como essa cidade conserva quase intacto o seu centro histórico.

 

Experimente o cous cous de peixe ou o busiati (pasta típica da região) nós almoçamos no restaurante Monte San
Giuliano, fora da rota turística, menos caro e com ótimo serviço. Coma também um docinho na “Pasticceria da Michelle”. Leve uma blusinha de manga comprida, por se encontrar no alto, lá tem sempre um ventinho fresco.

 

Quando você sair de Erice, pegue a estrada que vai de Trapani a Marsala, vai dar uma volta maior pra voltar pra San Vito lo Capo, mas vale a pena, tem um itinerário fabuloso, entre natureza e cultura no interno do Stagnone, com cataventos e produção de sal marinho (se você pegar o por do sol, vai ficar maluco com o visual).

Pra quem quer fazer uma subida ainda mais panoramica, tem a opção do teleférico que sai de Trapani até Erice. Nós tinhamos que optar, o teléferico ou o Stagnone, e optamos por este último.

Infelizmente depois de 10 dias, as férias acabaram, chegou a hora de voltar pra casa………mas já prontos para a próxima. Se vocês forem pegar o avião no aeroporto de Palermo, comam um Cannolo Siciliano, a doceria que se encontra no andar terreo faz um dos melhores da cidade, preparam até uma bandeijinha pra viagem. Lá tem também um licor de pistache que é uma coisa de louco de bom, pode levar na bagagem de mão, porque tem só 100ml. Se você conseguir, visite a cidade de Trapani e Marsala, não conseguimos conhece-las, mas já está no roteiro da próxima viagem na Sicilia.

Como chegar em San Vito Lo Capo:

Auto: do aeroporto de Palermo pegar a estrada A29, saida a Castellammare del Golfo a 45 Km, e depois a SS187 para San Vito lo Capo  (90 km); do aeroporto de Trapani pegar a estrada estatal 187 (são 60 km); da cidae de Agrigento pegar a estrada A29 (são 168 km)

 

 

Sobre Damares Lombardo

Damares está dentro do mundo de viagens há 25 anos. Com 22 anos de residência na Itália, conheceu vários lugares e países nesses longos anos. Da suporte e consultoria de viagens em Milão, cidade onde reside.